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Publicação recente por Página
Não são poucos os filósofos a falar de "barbárie tecnológica". Os co...mputadores, iPads e telemóveis, nos estudos em crianças e em adolescentes fazem de certeza - basta 50 minutos - hiperactividade, sono menos profundo, cansaço, perda de memória, diminuição da capacidade de concentração e sintomas depressivos. Fazem - muito provavelmente - cancro, doenças degenerativas do cérebro e oculares. A hipótese é que a geração dos telemóveis de hoje possa ter doenças como Parkinson e outras aos 45 ou 50 anos por "envelhecimento do cérebro". Para confirmarem tudo isto basta colocarem palavras chaves como telemóvel, doenças e pdf (assim irão com mais garantia parar a sites científicos). Não, não deve haver qualquer ensino online. Se as crianças têm meses sem que possam ir à escola devem ler em papel livros. E escrever sobre cada livro que lêem. Se os vossos filhos não conseguem ler livros assustem-se, não se trata só de falta de cultura, mas da hiperactividade e desconcentração que já inundou o cérebro deles que perderam, em termos do cérebro, a própria capacidade de ler e estão inundados por estímulos superficiais. Como se tivessem tomado drogas - a analogia é dos médicos que leio.
Estas são apenas algumas das razões porque sou radicalmente contra o "ensino" online. Na verdade a escola não tem poucas tecnologias, tem demasiadas. E a maioria das crianças passa muito mais horas com aparelhos destes do que devia, mesmo sem a pandemia. Mais de 80% das crianças em Portugal não tem actividade física e social suficiente. Ver mais
Quem está contra o ensino online leia até ao fim um mestre. Foi lend...o-o que aprendi o que é a educação, nem autoritária e conservadora, nem a "balda- aprender a aprender" pós-moderna em que há muitos anos vivemos. Saviani tem um percurso curioso, estudou sempre no seminário, filosofia, e tornou-se o mais importante pedagogo marxista vivo. Ainda parece um padre jesuíta filho de trabalhadores rurais, quase como Ken Loach e, porém, expressa as ideias mais revolucionárias que há sobre educação. Tive o privilégio de o conhecer pessoalmente no porto há muitos anos, na Universidade, encantador. Não nos conhecíamos eu liguei-lhe, "sou alta e tenho um vestido vermelho", ele, nesta sua voz discreta, "sou baixo e estou de paletó cinzento". Ri-me muito. Da minha parte foi amor à segunda vista - a primeira foi a leitura do seu livro Pedagogia Histórico Critica. Se puderem vejam o vídeo, se não, leiam pelo menos estas ideias chave dele no video:
"Não é verdade que vivemos na sociedade do conhecimento. Vivemos na sociedade da informação, que não é a mesma coisa que conhecimento. Conhecimento supõe a compreensão das relações, das estruturas, do modo como a realidade está estruturada. Do modo como a sociedade se desenvolveu, funciona. O conhecimento é o domínio dessas relações.
A forma mais apropriada para se passar da condição de analfabeto para alfabetizado é a forma escolar. Além disso, há um problema de outra ordem. Está bem, com os meios das chamadas tecnologias digitais, tenho acesso aos mais varados tipos de informações. Mas como é que eu vou distinguir as informações relevantes das irrelevantes? E como é que eu vou distinguir as verdadeiras das falsas? Isso não está dado pelos meios de informação. Isso está dado pelo domínio dos conhecimentos que eu vou adquirir nas escolas. A partir da escolas tenho uma formação que me permite captar como a realidade está estruturada, quais são as relações fundamentais que preside a vida humana, e a partir daí aprendo a distinguir, desenvolvo critérios de distinção. Passo a acessar a internet, as informações, mas tenho esses critérios.
Resistencia ativa: não adiantava resistir passivamente. Eu resisto, eu discordo. Mas apenas manifesto a minha discordância. Então a resistência ativa supunha dois requisitos: 1) que fosse coletiva. Mobilização de todos os profissionais da educação, articulados com os professores, sindicatos de demais trabalhadores, movimentos sociais populares; 2) tivesse proposta alternativa.
Ultimamente tenho retomado isso. Na resistência à politica atual, a essa direita. Resistencia que implica mobilização ampla, coletiva (sindicatos, movimentos sociais, partidos de oposição). " Ver mais
“O racismo é estrutural nos EUA. Como dizem os ativistas do moviment...o negro, "nada mudou de fato, apesar do movimento pelos direitos civis nos anos 1960". Assim, como durante a gripe espanhola há um século, há um gigantesco movimento social, turbinado por 40 milhões de novos desempregados, por mais de cem mil mortos, boa parte evitáveis. Para fechar a noite, uma música que recorda os linchamentos de negros no Sul americano, "Strange fruit", composta em 1937 por um judeu americano comunista - Abel Meeropol (que se referia aos negros enforcados em árvores), cantada por Nina Simone.
Abaixo, a letra da música, com tradução encontrada na internet:
Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.
Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.
Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.
Fruta Estranha
Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.
Cena pastoril do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimando.
Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.”
Por Waldo Mermelstein Ver mais












